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Lixeira de Tíbar: Perigos à espreita na comunidade

Lixeira de Tíbar: Perigos à espreita na comunidade

 

Uma simples caminhada pelo centro de Díli evidencia cenários que se repetem. Lixo amontoado nas ruas e passeios, ao lado de pontos de recolha de lixo pouco eficientes. Lixo despejado em valas e ribeiras, que acabam, inevitavelmente, no mar. O problema do lixo e os impactos negativos para a população e o ambiente agravam-se.

Nas ruas da capital, os recipientes para o lixo nem sempre se revelam suficientes ou eficazes. O cenário de lixo a transbordar nestes contentores ou nos passeios repete-se. É evidente a falta de consciência cívica por parte da população relativamente aos problemas ambientais que o lixo não tratado pode causar. Esta situação acarreta também dificuldades acrescidas na gestão dos resíduos.

O Governo, através do Ministério da Administração Estatal e Ordenamento do Território, faz a gestão centralizada do lixo ainda de forma tradicional, recolhendo os resíduos dos recipientes espalhados pela cidade, em camiões abertos, que são depois depositados na lixeira de Tíbar.

O local atrai, todos os dias, muitos catadores das aldeias adjacentes, que recolhem resíduos para reutilização ou reciclagem, mas cujas atividades acarretam problemas de saúde pública.

A lixeira de Tíbar é um local muito pouco convidativo. O cheiro pestilento e permanente da decomposição de resíduos atrai moscas e mosquitos. O fumo proveniente da queima de lixo paira no ar. Muitos animais deambulam por ali na procura incessante de alimento. É neste cenário de total insalubridade que muitos catadores de lixo se movem também, em busca de materiais para reciclagem ou reutilização e que possam garantir o parco sustento das suas famílias.

A aldeia de Libaulelo situa-se mesmo ali ao lado da lixeira. Diariamente, os moradores convivem de perto com esta realidade quase dantesca. As muitas crianças da aldeia ajudam os seus familiares nas tarefas de catar o lixo, colocando em perigo a sua saúde.

Bela Mendonça, de 34 anos, é catadora de lixo em Tíbar. Todos os dias vai ao aterro procurar latas e peças em ferro e alumínio para vender e sustentar a sua família.

“Quando encontramos alimentos no lixo cujo prazo já terminou, recolhemos e aproveitamos para a nossa alimentação”, contou a habitante da aldeia de Libaulelo, no suco de Tíbar, à jornalista do JN-Semanário.

Os habitantes desta comunidade desconhecem os impactos nefastos do lixo na saúde pública e os problemas que a acumulação de resíduos pode causar aos que moram perto de lixeiras.

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Segundo Vicente Carvalho, responsável do posto de saúde de Tíbar, a lixeira tem causado impactos negativos na saúde da população que vive perto desta. Relativamente às doenças causadas pelo lixo, o responsável refere que na sua maioria são de natureza respiratória (asma) e gastrointestinal (diarreia).

“O Posto de Saúde de Tíbar regista sobretudo casos de pacientes com asma, diarreia, malária, dengue, doenças de pele e tuberculose. Algumas destas doenças são causadas pelo lixo depositado na lixeira e fumos provenientes da queima”, frisou.

Vicente Carvalho refere que o posto de saúde regista uma média de 300 pacientes por mês, de todas as idades, a maioria com doenças respiratórias e gastrointestinais. Desde o início do ano, registaram-se quatro mortes, uma criança com diarreia grave e três idosos com doenças respiratórias.

Rosália da Silva, outra habitante de Tíbar, pede ao Governo que faça uma boa gestão dos resíduos naquela localidade, dado que a acumulação destes no local é um fator determinante “para a poluição da terra, água e ar, resultando daí efeitos muito negativos para o meio ambiente e riscos para a qualidade de vida da nossa comunidade”.

“Há três impactos negativos da lixeira que prejudicam as nossas atividades diárias aqui: a fraca qualidade do ar que se respira, a movimentação diária dos camiões que trazem o lixo e também o mau cheiro constante proveniente da lixeira. Por isso, sugiro ao ministério relevante que crie uma boa política para resolver este problema de forma eficaz”, afirmou Miguel dos Santos, outro morador de Tíbar.

O suco de Tíbar é composto por quatro aldeias – Turlio, Libaulelo, Mausoi e Fatunia – , que têm um total de 3.768 habitantes. Com 785 residentes, a população da aldeia de Libaulelo é a mais afetada pelo fumo da lixeira, dado que a maioria trabalha como catadora de lixo.

O chefe da aldeia de Libaulelo, Domingos da Conceição, também manifestou preocupação relativamente à acumulação do lixo e aos impactos negativos na saúde pública, principalmente nas crianças.

“Já informei o ministério relevante sobre esta questão, mas ainda não obtivemos respostas concretas. Se o aterro fosse de interesse nacional talvez a situação já estivesse resolvida. Só peço ao Governo para fazer a construção de um muro para rodear o aterro, evitando que a população tenha acesso facilitado à lixeira para procurar comida”.

Domingos da Conceição acrescenta que é necessário que o Governo crie uma política eficaz de gestão integrada dos aterros sanitários e reciclagem de lixo, e não enverede pela queima dos resíduos que trazem riscos acrescidos para a saúde da população.

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Apesar de o líder local e algumas organizações não governamentais já terem feito ações de sensibilização junto da comunidade sobre os impactos negativos do lixo na saúde, os habitantes continuam a frequentar a lixeira, recolhendo resíduos para reutilização ou venda. Segundo a informação recolhida pela jornalista junto dos catadores de Tíbar, cada quilo de latas de alumínio ou peças de ferro velho é vendido a 0,50 centavos.

Também o Presidente da República, Francisco Guterres ‘Lú-Olo’, já antes havia manifestado a sua preocupação com os problemas da comunidade de Tíbar. Para o Chefe de Estado timorense, dezassete anos depois de restaurar a sua independência, o país deveria poder oferecer às comunidades mais vulneráveis melhores condições de vida “mas ainda há muitas famílias a procurar o seu sustento na lixeira ou a vasculhar no lixo algo que possa servir para negociar”.

“Apesar do Parlamento Nacional aprovar o Orçamento Geral do Estado todos os anos, a população continua pobre e sem direito a benefícios, circulando o dinheiro apenas para resolver os problemas de alguns grupos”, salientou o Presidente da República aquando da cerimónia do 43.º aniversário das F-FDTL, no Quartel-General de Fatuhada.

“As crianças não conseguem frequentar o ensino regular por causa das fracas condições económicas das famílias. Algumas só comem uma vez por dia e, por isso, as mães levam as suas crianças a vasculhar o lixo, na tentativa de buscar algo para comer. Nestas circunstâncias, não estão preocupadas em saber se a comida que encontram no lixo já expirou o prazo de validade ou não”, disse o Presidente.

Na era da tecnologia e do consumismo o problema da gestão dos resíduos é global, havendo necessidade de encontrar soluções eficientes e eficazes para a sua gestão.

Também em Timor-Leste a gestão dos resíduos é um desafio crescente para as autoridades da capital. O sistema adotado pelo Governo ainda é feito de forma convencional, através da Administração do Município ou Autoridade Municipal, de acordo com o artigo 5.º do Decreto-Lei nº 2/2017, de 22 de Março.

Segundo um estudo de 2015 do Banco Asiático de Desenvolvimento, chegam, diariamente, à lixeira de Tíbar mais de 120 toneladas de lixo.

Atendendo a esta situação, em maio de 2019, o Ministério da Administração Estatal e Ordenamento do Território anunciou que iria ser aplicada a política de aterro controlado, de acordo com a estratégia integrada de tratamento de resíduos sólidos em Tíbar.

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“O Governo pretende implementar uma nova política de transformação da lixeira de Tíbar num aterro controlado para minimizar os índices de poluição do ambiente e impactos negativos na saúde pública”, afirmou o Ministro da Administração Estatal em exercício, Abílio José Caetano.

O Secretário de Estado do Meio Ambiente, Demétrio Amaral de Carvalho, argumenta que o Ministério da Administração Estatal e Ordenamento do Território é responsável pela situação da lixeira de Tíbar, não tendo ainda conseguido controlar a migração de habitantes de outras regiões para as áreas envolventes à lixeira.

“A acumulação de lixo em Tíbar causa vários problemas, sobretudo a poluição do ar e do solo. Quando o ambiente está poluído a população não consegue viver condignamente, pelo que o ministério relevante tem de implementar um bom sistema de gestão dos resíduos para não prejudicar a saúde pública. Deve também criar mecanismos que proíbam a população de viver perto desta área e realizar campanhas de sensibilização sobre o impacto do lixo na comunidade”, sugere.

O governante considera também urgente a introdução nos currículos escolares de conteúdos relativos à educação ambiental, alertando os alunos e a comunidade sobre a importância da gestão diária dos resíduos domésticos.

Recorde-se que, em 2015, o VI Governo Constitucional anunciou o lançamento de um projeto de processamento de lixo e transformação em energia, em Tíbar. A proposta de investimento foi apresentada pela empresa de Taiwan, Shun Hsin Construction Development Ltd, contemplando a construção de uma unidade industrial de recolha e armazenamento de lixos e ainda o tratamento e reutilização de resíduos orgânicos. Contudo, o projeto não viria a concretizar-se.

A comunidade de Tíbar continua à espera que o Governo faça uma política eficiente de gestão dos resíduos e crie condições condignas para os seus habitantes.

“Nos nossos bairros continua a existir muito lixo. Se não limparmos os nossos bairros, continuaremos a conviver com o lixo. Essa responsabilidade é nossa. Mas em relação aos problemas ambientais da lixeira de Tíbar essa responsabilidade terá de ser assumida pelo Governo de forma urgente. A população não pode continuar a suportar esta situação”, adverte Miguel dos Santos.

Enquanto a comunidade de Tíbar mantém a esperança em soluções para um ambiente mais limpo, os perigos do lixo não tratado continuam à espreita.

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