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Rogério Lobato: Criticas de Marí Alkatiri a Xanana Gusmão são “infundadas” e “injustas”

Rogério Lobato: Criticas de Marí Alkatiri a Xanana Gusmão são “infundadas” e “injustas”

Entrevista ao comandante Rogério Lobato, revela caminhos urgentes para a normalização do país e identifica a necessidade “imperiosa” de renovação “imediata” na liderança da FRETILIN

Rogério Lobato, o comandante “sem medo”, indubitavelmente, um dos fundadores da Nação, portador da marca de uma nobre família de heróis, com nome, afirmativos da heroicidade de todos os mártires anónimos da libertação, quer um país que se encontre definitivamente na verdade e, apela a uma FRETILIN “orgulhosa dos seus feitos heroicos” e “humilde na assunção dos seus erros”, que se renove com uma “liderança  alternante” através de “eleições democráticas e periódicas internas” e não uma FRETILIN “amarrada” à  liderança que insiste em “perpetuar-se” por “simples apego ao poder”.

Uma entrevista que se impõe, pertinente e plena de responsabilidade política e social.

Jornalista, António Veladas

Comandante Rogério Lobato, como ponto prévio, constou-me que se encontra com problemas de saúde?

Comandante Rogério Lobato

António, muito obrigado pela oportunidade de me entrevistar. De fato não ando muito bem de saúde e daí a razão de passar agora mais tempo na Europa, a fim de estar mais próximo de tratamento médico de qualidade. A precariedade da minha saúde assim o exige. Sou o único sobrevivente de uma família toda ela dizimada pelos invasores aquando da ocupação e por isso mesmo tenho que dar toda a prioridade à minha saúde. Tenho família e filhos a criar. Penso, contudo, que possa melhorar para poder regressar a Timor-Leste.

Tem acompanhado a situação política no seu país?

Sou um observador político atento, mesmo estando distante, observo de longe tudo o que se passa e muitas das vezes fico apreensivo com o clima de crispação que existe entre os políticos timorenses.

Acha que os seus entes queridos e muitos milhares de Timorenses que deram as suas vidas se sacrificaram em vão?

Não, não morreram em vão. Seria um exagero pensar-se assim. A restauração da nossa independência nacional foi em si uma grande vitória. Cumpriu-se o mote de “Independência ou Morte” ou o famoso dito em Tétum de “Mate ka Moris, Ukun Rasik – An”.

Então porque está apreensivo?

Porque vejo um País permanentemente adiado. Existe um déficit de democracia devido a ausência de um diálogo franco e sincero entre os políticos timorenses.

Esta onda de crispação, à qual se refere, é consequência de alguma atitude abusiva de alguns políticos timorenses?

Absolutamente! Deve-se fazer uma maior contenção naquilo que o político diz em público. A palavra tem muita força. Ela pode aproximar ou afastar as pessoas, dependendo apenas da forma como ela é dita e quantas vezes ela é dita. Quando é para desferir um ataque político a um adversário político e quando é dito, repetidamente, então ela fere as suscetibilidades, tornando difícil um entendimento que é necessário para o bem comum.

…quer dar um exemplo?

Certamente, faço-o sempre com respeito e sem desmerecer as qualidades que a pessoa tem. Pela primeira vez, quero manifestar, publicamente, o meu desagrado à forma como muitas vezes o Secretário-Geral do meu Partido, o senhor Marí Alkatiri, manifesta a sua opinião. Sinceramente, como membro da Fretilin, desde sempre, não me revejo na forma, muitas vezes agressiva, como ele critica certos dirigentes políticos timorenses. Em democracia não somos obrigados a pensar da mesma maneira, mas devemos agir com responsabilidade se queremos criar entendimentos e consensos.

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Marí Alkatiri, excede-se? Deveria ser mais tranquilo?

Sim, demais!

Que lhe diria, lançaria uma apelo?

Apelo ao Secretário-Geral da FRETILIN, para que seja mais comedido naquilo que diz e como diz! Deve estar consciente que quando fala não o faz apenas em seu nome! Fá-lo em nome de milhares de militantes e simpatizantes do partido, no qual eu me incluo e não me revejo no conteúdo e forma da sua intervenção pública!

Qual é o dirigente político timorense, na sua opinião, que o ainda Secretário-geral do seu Partido, Dr Mari Alkatiri, quer atingir neste tom?

Ele quer atingir, clara e inequivocamente, o Comandante Xanana Gusmão! É ridículo que o faça! Temos assistido, nos últimos anos, no discurso de Marí Alkatiri uma proximidade imensa a quem hoje ataca, recordo, inclusivamente, há bem pouco tempo se considerava “compadre” do Xanana. De repente, deixe que lhe diga, o compadre virou “vilão” e ele, Marí Alkatiri, “santo”!? Não é justo! “Santos” só existem no céu e isto depois de anos e anos de investigação, pelo menos no calendário católico apostólico romano.

Acha que Xanana Gusmão não falhou na construção do Estado?

Falhou, sim senhor,em alguns sectores, assim como todos nós também falhámos, ninguem na vida está immune dos erros . A construção do Estado de Direito Democrático é um processo longo e tortuoso em que se cometem erros mas também se concretizam grandes realizações. O errar é humano. Nenhum político responsável deve admitir que nunca erra. “Errare humanum est”, já diziam os romanos, há mais de 2000 anos.

Está a defender Xanana Gusmão e a atacar Marí Alkatiri?

Não. Estou a observar e a defender o que eu acho justo, o que é real. Criticar ou atacar só por capricho político não vai levar a lado algum. Cada um deve saber a dimensão política pessoal que tem quando desfere ataques públicos contra os seus adversários políticos.

…e?

Repare, em 4 de Dezembro de 1975, por decisão do Comité Central da Fretilin, o Marí Alkatiri, o Ramos-Horta e eu próprio saímos de Timor-Leste. Lembro, que na qualidade de ministro plenipotenciário, o Dr. Marí Alkatiri saiu com a missão de dirigir a Frente Externa ou Diplomática, o Ramos-Horta juntou-se ao Abílio de Araújo para defender a nossa causa na Nações Unidas e eu, na minha qualidade de Ministro da Defesa Nacional, acompanhado pelo então embaixador Roque Rodrigues, fiz a primeira visita oficial à República Popular da China.

Mencionar estes factos… tiveram sucesso nas vossas missões de serviço?

Nós, os que saímos de Timor-Leste, sempre demos o nosso melhor. O Marí Alkatiri contribuiu para a nossa diplomacia, dando-lhe visibilidade, sobretudo, em África. O Ramos-Horta virou meio mundo contra os ocupantes nas Nações Unidas e noutros fóruns, a ponto, de mais tarde, se tornar no rosto da nossa luta no exterior. Foi sempre secundado, nestes esforços, nas Nações Unidas, pelo José Luís Guterres. O Roque Rodrigues, incansável embaixador tanto em Moçambique como em Angola, sempre fez tudo para não esmorecer o apoio à nossa luta nos países por onde passou. O Abílio de Araújo e a esposa, Guilhermina de Araújo, assentaram as bases em Portugal, de onde calcorrearam toda a Europa Ocidental, mobilizando incansavelmente os nossos comités de solidariedade. Eu consegui na China os primeiros duzentos mil dólares americanos para apoiar a Frente Externa, mais o fornecimento de armamento, suficiente para armar sete mil homens, conforme me assegurou o então vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Dr. Han Nien Lung.

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Tudo isto foi feito e planeado a partir da vossa base em Moçambique?

Claro. E fizemo-lo na comodidade de uma retaguarda, sem tiros nem motes, como é o caso da Frente Diplomática. Nós fizemos os trabalhos que nos foram determinados pelo Comité Central da Fretilin. Era a nossa obrigação e missão. Mas equiparar-nos em esforços a todos os nossos camaradas que lutaram na Frente Armada e na Frente Clandestina, incluindo o comandante Xanana Gusmão e seus combatentes, é injusto para não dizer patético!

A Frente Armada, a Frente Clandestina e a Igreja Católica, é que enfrentaram o mais duro combate. A Frente Diplomática teve o seu papel relevante, mas o fator interno teve, numa determinada fase da nossa luta, o papel determinante. Já em 1999 a Frente Diplomática, devido aos contactos diretos que teve com Portugal e com os Americanos, através do incansável diplomata Ramos Horta, deu um “safanão” aos ocupantes e seus correligionários, obrigando-os à debandada com a intervenção da INTERFET – aliás, testemunhada e vivida por si, enquanto jornalista português no território desde julho de 1999.

Está claro que não concorda com os ataques, do ainda Secretário-geral da Fretilin, Marí Alkatiri, ao comandante Xanana Gusmão?

Não! Não só não concordo, como rejeito o tipo de linguagem que é usado! Não me revejo nela e acredito que milhares de simpatizantes e militantes da FRETILIN, pensam da mesma maneira. O tempo político de hoje, em Timor-Leste, exige esforços de concertação! O Povo quer paz e estabilidade governativa! Os militantes da FRETILIN querem que a mesma ganhe e governe, em aliança se possível – mas, que ganhe e governe, não se acomodando na oposição, deve participar no processo governativo porque a liderança atual não tem capacidade de negociar consensos com outras forças do quadrante político partidário timorense.

Como quer ver a FRETILIN singrar em frente já que é inegável o seu peso histórico no processo da libertação nacional?

Quero que a FRETILIN seja um partido político que pratique uma política de abrangência, de abertura e de convivência democrática e de respeito à diferença. Uma FRETILIN magnânima na vitória e firme na derrota! Uma FRETILIN orgulhosa dos seus feitos heroicos, mas humilde na assunção dos seus erros! Defendo uma FRETILIN renovada, com uma liderança que seja alternante, através de eleições democráticas e periódicas internas, e não uma FRETILIN, cuja liderança quer perpetuar-se no poder pelo simples apego ao poder.

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… duras críticas a quem o lê e tem mantido nestes vinte anos com mão de ferro uma liderança bastante questionável.

Justas! E, irei exigir isto pelo meus que deram tudo pela FRETILIN, incluindo, a própria vida. Só quem não perdeu é que não entende a dimensão da dor, a dor de observar tudo quase mudo e calado. Isto vai ter que parar! A FRETILIN deve praticar uma política que aproxime as pessoas e não uma FRETILIN que exteriorize apenas ressentimentos, rancor e ódio. “Kabesi isin, Sukat liafuan, Liafuan lori isin, Lolon ba at”…o nosso Povo, na sua humildade e sabedoria milenar, não se cansa de nos apontar caminhos no uso da palavra. Sejamos verdadeiros nos atos e nunca falsos nas intenções.

A FRETILIN, em tempos organizou eleições diretas, para os cargos de Secretário-Geral e de Presidente da FRETILIN. Não acha isto suficiente?

Não acho, de forma alguma, suficiente. Eleições Diretas com lista única?! Isto só nas ditaduras do partido único. Este tempo já passou. Não se pode falar em democracia e praticar algo totalmente oposto, assim como não se pode apregoar a humildade e praticar a arrogância cada vez que se abre a boca.

O Primeiro-ministro Taur Matan Ruak apresentou a demissão. O Presidente da República ainda não a aceitou, mantendo-o no cargo. No entanto, uma nova coligação está a ser formada sob a liderança de Xanana Gusmão. Acha que o Presidente da República, irá aceitar esta nova coligação e nomear Xanana como o novo Primeiro ministro?

Eu não sou “adivinho” para dizer o que é que Sua Excelência o Senhor Presidente da República irá decidir. O Senhor Presidente da República é uma pessoa humilde e prudente. Ele usará da sabedoria que lhe é peculiar, para ajuizar sobre a melhor solução para Timor-Leste. Uma solução que não demore no tempo porque a crise aperta e a economia cada vez mais se afunda. A crise deixou de ser apenas uma questão legal para ser sobretudo uma questão política que urge uma saída política, que renove a sociedade, a economia, todos os sectores da vida pública nacional. O senhor Presidente da República, como Chefe de Estado e Presidente de todos os Timorenses, saberá certamente manter-se equidistante e independente nas suas decisões. Não tenho a mais pequena dúvida sobre isto. É um grande combatente da liberdade e tudo fará para aliviar o nosso Povo de incertezas e de insegurança.

Quer deixar algum conselho a todos os políticos timorenses?

Cito as palavras de um autor anónimo e que considero de grande significado político: “Cresça sem humilhar o outro, sem pisar ninguém. Não importa o quão bom você seja no que faz, sempre existirá alguém tão bom ou melhor que você. O conhecimento te abre as portas, mas é a humildade é que te levará mais longe”. FIM

 

 

 

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