Bancada do CNRT considera vacina AstraZeneca insegura

Os deputados da bancada da oposição do Congresso Nacional de Reconstrução Timorense (CNRT), no Parlamento Nacional, rejeitaram a possibilidade de serem vacinados contra a covid-19, no âmbito do Programa Nacional de Vacinação contra a doença, por considerarem que a vacina é insegura para a saúde dos jovens e mulheres.

De acordo com o plano de vacinação, foram, esta segunda-feira (19-04), administradas vacinas aos deputados das restantes bancadas e a todos os funcionários afetos ao plenário. Já os deputados do maior partido da oposição pediram ao Governo que fossem requisitadas outras vacinas, como a da Pfizer, ainda que mais cara, mas com maior eficácia.

“A Bancada do CNRT esteve a fazer uma pesquisa sobre os benefícios e os riscos da vacina da AstraZeneca. No final detetámos que inúmeros países acabaram por suspender a vacina. Em causa está o facto de ter surgido coagulação sanguínea em algumas pessoas inoculadas com a AstraZeneca, segundo a Comissão Europeia”, disse a deputada do CNRT, Virgínia Ana Belo.

A deputada salientou, no entanto, que a bancada não proibiu os deputados do CNRT de receber a vacina, considerando que se trata de uma decisão pessoal. Virgínia Ana Belo afirmou ainda que, segundo o relatório da Comissão Europeia, foram já detetados 169 casos de coagulação sanguínea, sendo que a maioria das vítimas são mulheres com menos de 60 anos.

“Muitos países europeus suspenderam a vacina da AstraZeneca. Já outros aplicaram apenas a pessoas na faixa etária acima dos 55 anos. Na Inglaterra, o Governo aconselhou a população com menos de 30 anos a não usar a vacina da AstraZeneca. Ao invés, a Austrália recomendou que fossem administradas a vacina da Pfizer a cidadãos com menos de 50 anos”, sublinhou.

A representante do povo referiu ainda que os países como os Camarões, Noruega e Dinamarca suspenderam totalmente a vacina da AstraZeneca. Ainda de acordo com a Virgínia, várias nações como a França, Canadá, Alemanha, Geórgia, Inglaterra, Itália, Holanda, Austrália, Estónia, Espanha e Coreia do Sul usaram a vacina da AstraZeneca para vacinar apenas as pessoas acima dos 50 anos.

“Tendo em conta estes factos, a administração da vacina AstraZeneca em Timor-Leste não é 100% segura, porque a maioria dos nossos cidadãos é jovem. Em causa está o facto de Timor-Leste possuir cerca de 1,2 milhões de pessoas, segundo os dados dos censos de 2015. Apontam ainda para o facto de apenas 96 mil pessoas terem mais de 60 anos. Agora podemos estimar que o número já chega aos 120 mil”, afirmou.

Virgina afirmou ainda que a Bancada do CNRT se mostra preocupada com a declaração da Organização Mundial de Saúde de que um país se torna imunizado quando 70% da sua população for vacinada. Assim, lamentou a decisão do Governo em optar pela vacina AstraZeneca para ser administrada à população, criticando o Executivo a falta de um estudo sério acerca das vacinas.

“O Governo não fez um estudo sério e mostrou-se ansioso quando tomou a decisão acerca das vacinas. No fim, os cidadãos que têm menos de 50 anos são obrigados a receber esta vacina. O Governo usou os cidadãos para fazer ensaios clínicos da vacina AstraZeneca, enquanto a Austrália, o país doador da vacina, optou por administrar a vacina a idosos”, salientou.

Com base nos estudos científicos realizados pelos países europeus sobre a vacina AstraZeneca, a bancada do CNRT sugeriu ao Executivo que escolhesse outra vacina mais adequada e aplicável à faixa etária da população em Timor-Leste.

Assim a bancada do CNRT recomendou ao Governo que alocasse verbas para a aquisição da vacina Pfizer por ter uma eficácia de 97%.

Segundo os dados do Ministério da Saúde, até ao dia 19 de abril, cerca de oito mil pessoas timorenses receberam já a primeira dose da vacina AstraZeneca. Say

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